10ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE VERÃO SALVADOR
Segundo a imprensa, cerca de 60 mil pessoas foram até o Parque de Exposições de Salvador para ver as atrações da primeira noite da 10ª edição do Festival de Verão, que começou ontem, 16/01, e será encerrado no sábado, 19. Apesar do congestionamento monstruoso e da noite chuvosa o Parque de Exposições ficou inundado de pessoas que pularam, cantaram, dançaram e se "acabaram" em aplausos, se encharcando de suor ao fim de cada música nessa maratona musical, com ingressos que variaram entre R$ 30 a R$ 60, ou até R$ 200, na mão dos cambistas (eu encontrei um cara vendendo!). Além disso, nos palcos menores várias atrações alternativas (melhores até do que as atrações principais), que animaram a galera e esquentaram o ambiente. A estrutura do palco central não ficou devendo em nada aos grandes eventos pelo país, onde nessa primeira noite SOM QUASE ININTERRUPTO – Será mais de 15 horas (quase) ininterruptas de som ao vivo e entretenimento, por dia, totalizando 105 horas de músicas. A abertura do evento foi feita pela banda Voa Dois, às 19h em ponto. Cerca de vinte minutos depois, entrou o Saulo e cia. As apresentações foram em dois palcos: o 2008, com 300 m², que vai receber os grandes nomes como Negra Cor (quem não conhece procure conhecer – é a banda do maravilhoso Adelmo Casé – foto abaixo), Nx Zero (uma merda!), Seu Jorge (com participação de Luiz Melodia), Daniela (que recentemente ganhou um Grammy), Chiclete (que mais parece uma religião), Beth Carvalho, O Rappa, Timbalada, Margareth e apenas uma atração internacional, o Eagle-Eye Cherry (que quase ninguém nunca ouviu falar, mas o cara é muito bom).
HIPNOSE E HISTERIA – Ontem, a mistura rítmica de gêneros na grade de programação fez alterar momentos de hipnose e de histeria entre o público e refletiu precisamente na proposta do festival: apresentar um vasto universo musical ao longo dos quatro dias, esquentando para o carnaval, pois as pessoas em Salvador parecem que não têm preconceitos (pelo menos em época de festa), com relação aos muros que separam as coisas. Não existem guetos sonoros neste festival. É aí que acontece um fenômeno curioso: a platéia composta de 99,99% de mauricinhos, patricinhas e turistas, principalmente cariocas, começa a bater cabeça e a ensaiar uma slam dance. Socorro! Esse pessoal é dez vezes mais babaca e despreparado do que um headbanger tradicional. Momento de tensão ocorreu durante o eletrizante show da Ivete, quando as invasões de palco deixaram seguranças e roadies temporariamente malucos. Na
VIOLÊNCIA – Muita gente no gramado estava reclamando da violência da polícia. A segurança do evento foi feita por “leões de chácara” da polícia civil e militar e seguranças particulares. O corpo de bombeiros também estava presente e foi instalado no local dois postos médicos e uma ambulância. Mesmo assim, por muitas vezes, o termômetro aumentou, pois a polícia baiana teimava em mostrar autoridade de “capitães do mato” usando violência. Infelizmente, a PM de Salvador deveria está trabalhando num zoológico, ao invés de agredir as pessoas. O cidadão não se sente mais seguro quando reconhece um policial. Outra coisa, aviso para as autoridades: muitos estavam usando ecstasy. Haviam várias crianças desacompanhadas fumando maconha, apesar de que a censura no festival era de 14 anos, o que dá a real dimensão do consumo de drogas que está turbinando nas noites de muitas capitais brasileiras. "Não consigo ficar dançando oito horas sem tomar umzinho, fico logo cansado", admitiu E.P.A., 13 anos, freqüentador assíduo da noite baiana. O universitário carioca T.C., aproximadamente com 20 anos, endossa: "Em noites assim, ecstasy é de lei". É uma lei que as autoridades brasileiras parecem desconhecer.
BABACAS NA ÁREA VIP – Tinha muitos globais na área vip. O saldo deste megaevento pode ser sintetizado nas palavras do Gilberto Gil: "No meio de uma festa tradicional, esse festival põe outros tipos de música, menos comuns, para as pessoas escutarem. Essa mistura de informação tem de acontecer em todos os lugares". Eu, que não nasci ontem, me dei por vencido e logo no primeiro dia após várias doses de refrigerantes – estava rolando muita dose de sidra misturada com uma coisa lá (não consegui identificar) no meio da galera -, encaminhei-me para o Theatro XVIII, para assistir, novamente, a algum sarau. E o ministro da candaía usando e abusando da cidade para aparecer. E enquanto ao povão que deveria aproveitar? Ficou na fila dos desempregados do Simm. E viva a democracia na dança dos números nessa cidade do verão.
imagens: Gilberto Gil/Christina Fuscaldo - O Globo Online; Ivete Sangalo/Michel Telles e Adelmo Casé e Saulo/divulgação.



7 Comentários:
Artigo publicado no Caderno 10 do jornal A TARDE, 18/12/2007, pelo jornalista Danilo Fraga. Concordo com tudo e assino embaixo.
Na comemoração de seus 10 anos o Festival de Verão de Salvador segue sem nenhuma ousadia na seleção dos artistas Programação fraca não aposta em tendências
Não sei por que a gente ainda espera algo novo do Festival de Verão – e nesse sentido este texto tem algo de “chutar cachorro morto” –, mas o fato é que a gente espera mesmo. Por quê? Porque aqui em Salvador não rola quase nada de novo e qualquer “novidade” é comemorada com o afã de um menino carente que ganha presente de Natal. Saiu a programação desse ano e [adivinhem?] ela é uma droga. Mas não há motivo para surpresa: todo ano é a mesma coisa. O palcão é um Bonfim Light mais barato, em que tocam os mesmos nomes da música baiana [Jammil, Chiclete com Banana, Asa de Águia, entre outros], mas isso é compreensível. No fundo, são essas bandas que enchem aquele lugar. De resto, o barracão de samba toca o mesmo pagode de qualquer chopada de medicina, e a tenda eletrônica cumpre seu papel. O que me enerva mesmo é a cara de pau de dizer que o Festival de Verão é “o maior do Brasil”. Maior em quê? Só se for em repetição. E isso está estampado no palco tendências, que é o único que eu já fui ver. É um espaço que não sabe o que é. É rock, indie, reggae ou pop? O que rola de tendência lá, pelo amor de Deus, a não ser um ou outra coisa, como o Cansei de Ser Sexy no ano retrasado? Pato Fu, Cascadura, O Círculo e Cachorro Grande, atrações desta edição, são legais, mas porque “o maior festival do Brasil” não se arrisca a trazer nada de diferente? Não dá para engolir o Tihuana como “tendência”. Será que o imenso público dos Los Hermanos não ia ficar feliz em assistir à Orquestra Imperial? Ou quem sabe Júpiter Maçã, Móveis Coloniais de Acaju, Superguidis, Instituto, que está fazendo o show Tim Maia Racional, ou mesmo Nação Zumbi, que não é novo, mas acabou de lançar um dos melhores discos do ano e de sua carreira? Ainda existe, é claro, o engodo da “atração internacional”. Quem diabo é Eagle-Eye Cherry? O que faz dele o principal nome do Festival a não ser o título de “atração internacional”? É o maior exemplo de provincianismo que pode existir na face da terra. O sueco Eagle-Eye Cherry nem consta na Wikipedia brasileira. O último disco de estúdio do cara é de 2003 [Sub Rosa] e o último “sucesso” de 1997 [Save Tonight]. Não é ninguém. Ele vai tocar aqui por um único motivo: para que o Festival de Verão possa dizer que tem atrações internacionais, como nas outras edições. Sempre tocaram por lá artistas decadentes, nada esperadas, como Man at Work, Spy vs Spy, Big Mountain, Burning Spear e Gloria Gaynor. As únicas exceções foram Matisyahu e, principalmente, Ben Harper [que veio por um acaso do destino]. Não estou dizendo que eles deveriam trazer The Police, The Strokes ou Madona. Mas, em poucos segundos, consigo pensar numa lista de boas “atrações internacionais”, além de tudo baratas : não seria legal ver shows de Mano Chao, Jack Johnson, Hot Chip, Jorge Drexler, Cat Power, Damien Marley? Espero que o Festival de Verão deixe de lado a pretensão de ser “o maior do Brasil” e assuma a sua identidade de festa “de camisa colorida”. Seria mais digno. E que bote Bonde do Maluco pra tocar.
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Bruno, às 18 de janeiro de 2008 07:59
Vai ter um mega show no farol da Barra em comemoração aos 59 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Direitos Humanos. Quais são eles? Onde estão? Onde estavam os direitos humanos de uma criança que foi abusada sexualmente, esquartejada e carbonizada? Querer lutar para que o infeliz que fez isso tenha direitos? O melhor direito que ele poderia ter era que fizessem exatamente o mesmo com ele.
E o maníaco do parque que estuprou e matou dezenas de mulheres e destruiu a vida dos familiares dessas pessoas? Quais os direitos que ele tem? De ser julgado honestamente e pegar uma pena que não condizirá com a dor dos que perderam? Nada trará a vida dessas mulheres de volta, mas podemos evitar que esse louco seja solto por “bom comportamento” para continuar fazendo o que fazia.
E no final das contas, se esses infelizes são presos, nós é que pagamos para sustentá-los, alimentá-los e dar-lhes abrigo. Isso é uma forma de pagamento pelo que ele fez? Passar os dias sem fazer absolutamente nada construtivo, Ainda mais com o nosso sistema prisional, onde os presos têm muitas liberdades e nenhuma perspectiva de melhora para serem reinseridos na sociedade.
Para que essa barbárie termine, precisamos ser bárbaros. “Olho por olho, dente por dente” – Lei do talião. Está no Direito hebraico (Êxodo 21:23–5:o criminoso é punido taliter, ou seja, talmente, de maneira igual ao dano causado a outrem). Aqui se faz, aqui se paga!
Podem me julgar, dizer que isso é voltar ao tempo das cavernas, questionar sobre a minha civilidade e o poder do perdão. Cansei dessa baboseira toda! Chega de ouvir e ver essas notícias diariamente e aceitá-las resignadamente e no fim agradecer por não ter sido com nenhum de nossos parentes.
Então...vão lá no Porto da Barra comemorar. Mas não contem com a minha presença, não contem com o meu apoio. Cansei de ser boazinha! E podem deixar que com Deus eu me entendo.
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Arnaldo, às 18 de janeiro de 2008 08:07
Bruno, concordo totalmente com essa matéria de Danilo Fraga e ratifico uma coisa: o Bonfim Light é uma merda.
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Elenilson Nascimento, às 18 de janeiro de 2008 08:09
O Asa de Águia é minha paixão. Pena que esse ano não irei passar o carnaval em Salvador. Cidade que tenho muita admiração. Estou em São Paulo e algo me empede. Mas desejo a todos um carnaval com muito Axé. O Asa Arrêa!!!!!!
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Carvalho, às 19 de janeiro de 2008 11:04
O que falar depois do que o jornalista Danilo diz? Interessante é ver resposta da organização do evento que diz de uma forma bem velada que o que o povo quer é o que o povo tem!
E viva a politica do pão e circo!!!! Só que um circo para "as elite"
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Léo, às 19 de janeiro de 2008 12:00
Boa noite moço inteligente! Elenilson, você é um grilo da literatura, está em todas. Continue sua jornada brilhante ,você tem muitas boas surpresas para compartilhar. Excelente cobertura e comentários inteligentes. Boa Sorte
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Cei�, às 19 de janeiro de 2008 13:33
Primeiramente parabens! pelo blog
Acreditando ser de total interesse desse blog espetacular
quero indicar acreditando ser de muita utilidade para o publico em geral
obrigado
www.zigbr.com
Por
trio eletrico, às 15 de janeiro de 2009 08:32
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